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CACR11: Queda de 73% em 12 Meses, Dividendos Suspensos e Assembleia Decisiva em Julho — O Que Está Acontecendo?

Análise completa da crise do CACR11: entenda a suspensão dos dividendos, o desconto de 77% sobre o valor patrimonial, os problemas com o CRI Helvetia, a assembleia que decidirá sobre a retenção de resultados e os riscos que o cotista precisa acompanhar

Redação RadarFII Publicado em 06/07/2026

O fundo imobiliário CACR11 atravessa um dos períodos mais delicados de sua história. Depois de suspender novamente a distribuição de rendimentos, o fundo passou a negociar perto de R$ 22 por cota e acumulava desvalorização próxima de 69% em 2026. Nesta quinta-feira, 2 de julho, a cotação oscilava entre R$ 21,50 e R$ 23,67, depois de fechar o pregão anterior em R$ 23,01. A queda acumulada em 12 meses alcançava aproximadamente 73%, segundo dados de mercado disponíveis durante a sessão.

A forte desvalorização reflete a preocupação dos investidores com a liquidez do fundo, o atraso de alguns projetos imobiliários e a capacidade dos devedores de honrar as operações estruturadas por meio de Certificados de Recebíveis Imobiliários.

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CACR11 em números
IndicadorValor atualizado
Cotação em 2 de julhoAproximadamente R$ 22,25
Faixa de negociação do diaR$ 21,50 a R$ 23,67
Queda acumulada em 2026Aproximadamente 69%
Queda acumulada em 12 mesesAproximadamente 73%
Última cota patrimonial divulgadaR$ 97,58
Patrimônio líquido de maioR$ 471,93 milhões
Número de cotas4.836.324
Relação preço sobre valor patrimonialCerca de 0,23
Desconto sobre o valor patrimonialAproximadamente 77%
Último rendimento pagoR$ 0,23 por cota
Pagamento do último rendimento15 de junho de 2026

A cota patrimonial de R$ 97,58 e o patrimônio líquido de R$ 471,93 milhões correspondem ao informe de maio. Comparada à cotação próxima de R$ 22,25, a negociação representa cerca de 23% do valor patrimonial contabilizado.

Fundo suspende novamente os dividendos

A administradora BRL Trust e a gestora Cartesia informaram que o CACR11 não distribuirá rendimentos referentes ao resultado de junho. O último pagamento realizado foi de R$ 0,23 por cota, depositado em 15 de junho. O valor ficou muito abaixo dos R$ 1,20 distribuídos anteriormente e marcou uma redução de aproximadamente 80,8%.

A suspensão está relacionada à estratégia de preservar caixa para manter a liquidez, financiar obras vinculadas às operações e cobrir despesas extraordinárias.

Cotistas decidirão sobre retenção dos resultados

O fundo também convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para votar a possibilidade de não distribuir o mínimo de 95% dos resultados apurados pelo regime de caixa no primeiro semestre de 2026.

Caso a proposta seja aprovada, os recursos poderão permanecer no CACR11 para financiar o desenvolvimento dos imóveis, reforçar o caixa e pagar obrigações extraordinárias. A votação eletrônica ocorrerá entre 6 e 16 de julho, com divulgação do resultado prevista para 17 de julho de 2026.

A convocação não significa que a retenção já esteja autorizada. A medida ainda precisa ser aprovada pelos cotistas participantes da assembleia.

Problemas de caixa já apareciam no relatório de abril

No relatório gerencial de abril, a gestão informou patrimônio líquido de R$ 464,44 milhões, equivalente a R$ 96,03 por cota. Naquele momento, a cota de mercado ainda valia R$ 81,33.

A Cartesia reconheceu que atrasos em registros, licenças, vendas e entregas reduziram a entrada de recursos esperada. A gestora passou a priorizar o uso do caixa na continuidade das obras, buscando preservar as garantias e recuperar o principal investido.

O relatório também informou que alguns projetos apresentavam exposição superior ao limite regulatório, com plano de reenquadramento previsto até dezembro de 2026.

CRI Helvetia concentra quase R$ 59 milhões

Entre as operações mais sensíveis está o CRI Helvetia, com saldo devedor de R$ 58,93 milhões e vencimento em março de 2027. O empreendimento apresentava 76,55% de execução da primeira fase das obras e 23% das unidades vendidas. O relatório também indicava relação entre dívida e garantias, conhecida como LTV, de 51%.

A gestão relatou descumprimento de cláusulas e dificuldade dos responsáveis pelo projeto em definir uma nova estratégia comercial. Uma assembleia da operação optou por não antecipar imediatamente o vencimento da dívida, condicionando a decisão ao pagamento do saldo pelo devedor.

Desconto elevado não elimina o risco

O desconto de aproximadamente 77% sobre a cota patrimonial pode parecer atrativo, mas não representa automaticamente uma margem de segurança. Parte do patrimônio depende da avaliação contábil de CRIs, terrenos, recebíveis e garantias relacionados a empreendimentos ainda em desenvolvimento.

Caso ocorram atrasos adicionais, inadimplência ou necessidade de reavaliação dos ativos, o valor efetivamente recuperado poderá ser inferior ao contabilizado.

Não existe, até agora, confirmação oficial de que o CACR11 ficará todo o segundo semestre sem pagar dividendos. A retomada dependerá da geração de caixa, das vendas, do avanço das obras e da recuperação dos créditos. Os próximos pontos decisivos serão o resultado da assembleia de 17 de julho e a publicação dos novos relatórios gerenciais.

Esta matéria tem caráter informativo e não representa recomendação de compra ou venda de investimentos.