O fundo imobiliário Capitânia Securities II, negociado sob o ticker CPTS11, voltou ao radar dos investidores após a divulgação do relatório de maio. O documento mostra um fundo ainda robusto em patrimônio e liquidez, mas pressionado por fatores importantes: queda da cota, marcação negativa da carteira de CRIs, desconto relevante em relação ao valor patrimonial e, principalmente, o peso da alavancagem no resultado.
No fechamento do mês, a cota de mercado do CPTS11 estava em R$ 7,64, abaixo do valor patrimonial de R$ 8,79 por cota. Isso representa um desconto aproximado de 14%, ponto que costuma chamar atenção de investidores em busca de fundos negociados abaixo do patrimônio. Ainda assim, o desconto não elimina os riscos operacionais e financeiros do fundo.
Se você quer aprender a investir em Fundos Imobiliários do zero, preparei um guia completo com tudo que você precisa saber. Acesse o guia aqui.
Cota do CPTS11 segue mais perto das mínimas do ano
O desempenho recente da cota mostra um cenário de pressão. No último mês, o CPTS11 acumulava queda de 0,66%. Em seis meses, a baixa era de 3,20%. No período de um ano, a desvalorização chegava a 1,82%.
A mínima dos últimos 12 meses foi registrada em junho, quando a cota chegou a R$ 7,27. Já a máxima do ano foi de R$ 8,17, em fevereiro. Com isso, o fundo aparece mais próximo das mínimas recentes do que dos maiores patamares alcançados no período.
Apesar disso, o fundo segue com forte base de investidores. O número de cotistas subiu de cerca de 378 mil para quase 382 mil, um avanço de aproximadamente 0,92% em relação ao mês anterior.
Dividendos continuam em R$ 0,09 por cota
O CPTS11 manteve a distribuição de R$ 0,09 por cota, dentro da orientação divulgada pela gestão, que prevê uma banda entre R$ 0,08 e R$ 0,10 até maio de 2027. Considerando a cotação informada no relatório, o rendimento mensal ficou próximo de 1,19%.
Nos últimos 12 meses, o retorno com dividendos acumulava cerca de 14,12%, patamar considerado elevado para fundos imobiliários. No entanto, o investidor precisa observar se o resultado recorrente é suficiente para sustentar esse nível de distribuição nos próximos meses.
Em maio, o resultado do fundo foi de aproximadamente R$ 32,23 milhões, equivalente a cerca de R$ 0,089 por cota. A distribuição ficou em torno de R$ 32,71 milhões, ou R$ 0,09 por cota.
Números principais do CPTS11
| Indicador | Dado informado |
|---|---|
| Cota de mercado | R$ 7,64 |
| Valor patrimonial por cota | R$ 8,79 |
| Desconto sobre o VP | 14% |
| Dividendo mensal | R$ 0,09 |
| Dividend yield mensal | 1,19% |
| Dividend yield em 12 meses | 14,12% |
| Cotistas | quase 382 mil |
| Liquidez diária | R$ 13 milhões |
| Alavancagem | 17,4% do PL |
| Taxa média dos CRIs | IPCA + 8,67% |
Carteira tem FIIs, CRIs e forte exposição a tijolo
A carteira do CPTS11 segue dividida entre fundos imobiliários, CRIs e caixa. Os FIIs representam cerca de 61,30% dos ativos, enquanto os CRIs somam 23,70%. O caixa aparece com aproximadamente 6,10%.
Na parte de fundos imobiliários, o CPTS11 tinha participação em 81 FIIs, acima dos 78 registrados no mês anterior. A carteira é majoritariamente voltada para fundos de tijolo, com cerca de 79% nessa categoria. Os principais segmentos são shoppings, lajes corporativas, logística e renda urbana.
Na carteira de CRIs, o relatório indica 18 operações, ante 19 no mês anterior. A gestão informou que não havia operação estressada e que a carteira estava 100% adimplente.
Curva de juros prejudica resultado de maio
O desempenho de maio foi impactado pela abertura da curva de juros. A carteira de recebíveis sofreu marcação negativa, com a taxa média passando de IPCA + 8,57% para IPCA + 8,67%. Quando as taxas de mercado sobem, os títulos já existentes tendem a perder valor na marcação a mercado.
A rentabilidade mensal do fundo foi negativa em 2,52%, desempenho inferior ao IFIX, que caiu 1,33% no mesmo período. O IMA-B, referência ligada a títulos indexados à inflação, teve alta de 0,31%, também superando o CPTS11 no mês.
Alavancagem vira ponto de atenção para o investidor
O principal alerta do relatório está na alavancagem. O fundo encerrou maio com alavancagem equivalente a 17,4% do patrimônio líquido, com custo de CDI + 0,80%.
A estratégia passou a gerar impacto negativo no patrimônio do fundo. Em maio, o efeito da alavancagem foi estimado em -0,14% do PL. Esse ponto preocupa porque indica que o custo da dívida está pesando mais do que o retorno gerado pelos ativos financiados.
Em um cenário de juros altos, fundos alavancados tendem a enfrentar maior dificuldade para transformar a estratégia em ganho líquido para o cotista. Por isso, a manutenção dessa estrutura deve seguir como um dos principais temas a serem acompanhados nos próximos relatórios.
CPTS11 vale a pena agora?
O CPTS11 combina pontos positivos e riscos relevantes. De um lado, o fundo tem liquidez elevada, grande número de cotistas, desconto expressivo sobre o valor patrimonial e distribuição mensal atrativa. De outro, enfrenta pressão da curva de juros, desempenho recente abaixo do IFIX e impacto negativo da alavancagem.