GGRC11 e GARE11 estão entre os fundos imobiliários de tijolo "base 10" que mais despertam a atenção dos investidores. Os dois possuem estratégia híbrida, cotas negociadas abaixo do valor patrimonial e distribuições mensais próximas de 1% sobre o preço de mercado.
Apesar das semelhanças, a composição das carteiras mostra que os fundos oferecem exposições diferentes. O GGRC11 apresenta maior presença no setor logístico e industrial, enquanto o GARE11 combina imóveis logísticos, ativos de renda urbana e lajes corporativas.
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Comparativo entre GGRC11 e GARE11
| Indicador | GGRC11 | GARE11 |
|---|---|---|
| Cotação aproximada | R$ 9,71 | R$ 8,13 |
| Último rendimento | R$ 0,10 | R$ 0,083 |
| Retorno mensal sobre a cota | Cerca de 1,01% | Cerca de 1,02% |
| Dividend yield em 12 meses | Aproximadamente 12,36% | Aproximadamente 12,25% |
| P/VP | Entre 0,88 e 0,91 | Cerca de 0,88 |
| Patrimônio líquido | Aproximadamente R$ 2,40 bilhões | Aproximadamente R$ 2,66 bilhões |
| Número informado de imóveis | Cerca de 44 | 33, antes das vendas e aquisições |
| Vacância física | Aproximadamente 0,19% | 0% |
| Principal exposição | Logística e indústria | Renda urbana, logística e escritórios |
| Prazo médio dos contratos | Cerca de 4 anos | Cerca de 10 anos |
Em julho, o GGRC11 distribuiu R$ 0,10 por cota, mantendo o valor pago desde agosto de 2025. Considerando a cotação da data-base, o retorno mensal ficou próximo de 1,01%.
O GARE11, por sua vez, anunciou R$ 0,083 por cota, equivalente a aproximadamente 1,02% sobre o preço utilizado na distribuição. O fundo acumulava dividend yield próximo de 12,25% em 12 meses.
GGRC11 se destaca pela diversificação
Um dos principais pontos favoráveis ao GGRC11 é a maior diversificação de imóveis e locatários. Após aquisições anunciadas ao longo de 2026, o portfólio passou a reunir aproximadamente 44 ativos, incluindo empreendimentos ainda em desenvolvimento.
A maior parte da carteira está ligada aos setores logístico e industrial, com presença relevante de contratos atípicos. Nesses contratos, os prazos normalmente são mais longos e as multas por rescisão antecipada tendem a proteger melhor a receita do fundo.
Entre os principais locatários aparecem empresas como Renault, Americanas e Ambev. Embora exista concentração, a receita encontra-se distribuída entre um número maior de inquilinos do que no GARE11.
A vacância física próxima de 0,19% também mostra que praticamente toda a carteira permanece ocupada. O principal ponto de atenção é a alavancagem, ampliada pelas aquisições recentes e pelas obrigações futuras assumidas pelo fundo.
GARE11 tem contratos longos e vacância zerada
O GARE11 se destaca pela previsibilidade dos contratos e pela ausência de vacância física e financeira no período analisado. A carteira possui exposição a imóveis de varejo, logística e escritórios, distribuídos por diferentes regiões do Brasil.
O fundo informa contratos com duração média próxima de dez anos, consideravelmente superior à média apresentada pelo GGRC11. Essa característica pode oferecer maior estabilidade, especialmente quando os contratos são atípicos e firmados com empresas de bom perfil de crédito.
Carrefour, Grupo Pão de Açúcar, BAT Brasil e outros grandes grupos estão entre os locatários. Entretanto, a quantidade menor de inquilinos aumenta a concentração da receita. Os três maiores ocupantes representam uma parcela relevante dos aluguéis recebidos.
O GARE11 também passa por uma reorganização do portfólio, com previsão de venda de dez ativos e aquisição de seis imóveis. A estratégia pode reduzir obrigações financeiras, liberar recursos e renovar a carteira, mas a demora na conclusão das operações deve ser acompanhada.
Afinal, GGRC11 ou GARE11?
O GGRC11 aparece como a alternativa mais robusta em diversificação, quantidade de imóveis, área locável e distribuição da receita entre locatários. A gestão também demonstrou maior ritmo de aquisições durante 2026.
O GARE11 oferece maior previsibilidade contratual, vacância zerada e estrutura financeira aparentemente mais confortável, mas possui maior concentração de receita e ainda precisa concluir as mudanças anunciadas em seu portfólio.
Para o investidor que prioriza diversificação e crescimento da carteira, o GGRC11 pode ser mais atrativo. Para quem valoriza contratos longos, imóveis totalmente ocupados e menor pressão financeira, o GARE11 pode fazer mais sentido.
A decisão não deve considerar apenas os dividendos atuais. Qualidade dos imóveis, concentração dos locatários, endividamento, preço pago e capacidade da gestão de executar sua estratégia são fatores decisivos. Fundos imobiliários possuem riscos e rendimentos passados não garantem pagamentos futuros.