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XPML11: R$ 7 bilhões em patrimônio, vendas crescendo e desconto de 4% — vale a pena investir?

Fundo de shoppings da XP mantém dividendo de R$ 0,92 por cota, registra avanço de 7,4% nas vendas por metro quadrado e negocia abaixo do valor patrimonial, mas dívidas e juros elevados pedem atenção

Redação RadarFII Publicado em 24/06/2026

O XP Malls, negociado na B3 pelo código XPML11, permanece entre os maiores fundos imobiliários do segmento de shopping centers. Segundo o relatório gerencial mais recente, o fundo encerrou maio de 2026 com patrimônio líquido de R$ 7,08 bilhões e 748.369 cotistas.

A carteira é administrada pela XP Investimentos e gerida pela XP Vista Asset Management. O objetivo do fundo é obter renda com a exploração comercial de shopping centers, além de buscar ganhos por meio da compra e venda de participações nos empreendimentos.

Entre os ativos do portfólio estão Shopping Cidade Jardim, Shopping Cidade São Paulo, Shopping da Bahia, Catarina Fashion Outlet, Pátio Higienópolis, Grand Plaza Shopping e outros empreendimentos distribuídos pelo país.

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Dividendo permanece em R$ 0,92 por cota

O último rendimento anunciado foi de R$ 0,92 por cota, pago em 25 de maio aos investidores posicionados no fundo em 18 de maio de 2026.

O valor manteve o padrão de distribuição observado nos meses anteriores. Nos 12 meses encerrados em abril, a distribuição média também foi de R$ 0,92 por cota.

Confira uma simulação baseada no último pagamento:

Quantidade de cotasRendimento estimado
10 cotasR$ 9,20
100 cotasR$ 92,00
500 cotasR$ 460,00
1.000 cotasR$ 920,00

A simulação não representa promessa de retorno. Os rendimentos dos fundos imobiliários podem variar conforme receitas, despesas, vacância e decisões da gestão.

XPML11 apresenta desconto em relação ao patrimônio

Em 17 de junho, a cota do XPML11 era negociada perto de R$ 105, enquanto o valor patrimonial estava em aproximadamente R$ 110,11 por cota. Com isso, o indicador preço sobre valor patrimonial estava próximo de 0,96.

Isso significa que as cotas eram negociadas com desconto aproximado de 4% em relação ao valor patrimonial.

O desconto, isoladamente, não significa que o fundo está barato ou que sua cotação necessariamente subirá. O investidor também precisa avaliar a qualidade dos ativos, as dívidas, os resultados operacionais e o cenário econômico.

Vendas e receitas dos shoppings avançam

Os indicadores operacionais referentes a abril mostraram vendas totais de R$ 1,98 bilhão nos empreendimentos que fazem parte da carteira. As vendas médias alcançaram R$ 1.625 por metro quadrado, avanço de 7,44% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O NOI Caixa, resultado operacional líquido dos imóveis, chegou a R$ 36,86 milhões no mês. O indicador por metro quadrado ficou em R$ 134, crescimento anual de 6,05%.

As vendas das mesmas lojas cresceram 0,5%, enquanto os aluguéis das mesmas lojas avançaram 3,1% na comparação anual.

Vacância chega a 4,1% e inadimplência fica em 2,3%

A vacância média da carteira chegou a 4,1% da área bruta locável em abril, acima dos 3,7% registrados na média de 2026 até aquele momento.

A inadimplência líquida ficou em 2,3% no mês. Embora abaixo dos 4% acumulados no ano, o indicador deve continuar sendo acompanhado porque atrasos de lojistas podem afetar a receita dos empreendimentos.

O custo de ocupação médio, que relaciona despesas de aluguel e encargos às vendas dos lojistas, ficou em 12,3%.

Fundo possui reserva de resultados

O XPML11 gerou resultado de R$ 35,95 milhões em abril, enquanto distribuiu R$ 59,16 milhões em rendimentos. A diferença foi coberta por resultados acumulados anteriormente.

Ao final do período, o fundo possuía aproximadamente R$ 168,94 milhões em resultado acumulado não distribuído, equivalente a cerca de R$ 2,63 por cota.

Essa reserva aumenta a capacidade de manter pagamentos durante períodos mais fracos, mas não garante que o dividendo de R$ 0,92 continuará indefinidamente.

Liquidez permanece elevada

Em maio, as negociações das cotas movimentaram aproximadamente R$ 385,18 milhões. A liquidez média diária chegou a R$ 19,2 milhões, crescimento de 37% sobre o mês anterior.

A cota encerrou maio em R$ 107, enquanto o valor de mercado do fundo ficou em aproximadamente R$ 6,88 bilhões.

A elevada liquidez facilita a entrada e a saída de investidores, mas não elimina o risco de oscilações na cotação.

XPML11 vale a pena?

O XPML11 combina patrimônio elevado, carteira diversificada, ativos conhecidos e histórico recente de dividendos estáveis. A negociação abaixo do valor patrimonial também pode despertar o interesse de investidores voltados à renda mensal.

Entretanto, o fundo possui obrigações financeiras relacionadas às aquisições realizadas. Entre os compromissos estão parcelas previstas para 2026 e 2027, além de dívidas indexadas ao IPCA e ao CDI.

Juros elevados também aumentam a concorrência da renda fixa e podem pressionar as cotas dos fundos imobiliários. Por isso, o XPML11 pode fazer sentido em uma carteira diversificada e com horizonte de longo prazo, desde que o investidor considere os riscos e não baseie sua decisão apenas no último dividendo.